9 Dicas Para Cultivar o Presente

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Encontrar espaço interior para viajar na montanha russa de cada dia é essencial nos dias que correm. Imagine um círculo. Quanto mais a atenção se encontra identificada com o seu perímetro, mais o foco se distancia do centro desse círculo. Assim, tendem-se a adotar padrões reactivos, interagindo com a vida desde uma parte distante do núcleo da vida presente em cada um.

Cultivar momentos e rotinas saudáveis de modo a substituir rotinas e tendências desestabilizadoras fortemente enraizadas (vasanas ou samskaras) revela-se algo extremamente importante para um desfrute mais fluído e harmonioso da vida.
Experimente colocar em prática no seu dia-a-dia o seguinte:

– PRESTE ATENÇÃO À SUA RESPIRAÇÃO. Esteja onde estiver. Na fila do supermercado, a conduzir, no café, à mesa, comece por dedicar 30 segundos por exemplo a este exercício. É natural que, depois de algum tempo de prática, se sinta confortável e até estímulo natural para ir aumentando o período de tempo. Mantenha a coluna direita e as clavículas afastadas uma da outra. Sinta a forma com que a respiração flui por ela própria, sem interferências ou necessidade de “querer” respirar. Sinta a temperatura do ar que entra pelas narinas quando inspira e a temperatura mais quente do ar que sai quando expira. Enquanto respira dê-se conta do movimento subtil do peito a acontecer, desde o abdómen às clavículas. Sinta em cada expiração a forma como se vai sentindo cada vez mais relaxado, mais leve e com mais espaço, mantendo a coluna direita. A respiração é uma poderosa âncora para trazer a atenção para o momento presente.

– DESFRUTE DO SILÊNCIO. Não falamos do silêncio exterior, mas do interior. Pode estar num sítio onde não se ouve nem uma mosca a passar mas a mente está cheia de pensamentos. Esteja atento a “ruídos” mentais, pensamentos. Sempre que observar algum pensamento apenas foque novamente a respiração com a sua atenção, libertando-se assim da mente e do seu processo de encadeamento mental. Gradualmente, irá dar-se conta que pode até estar no meio de uma multidão e no seu interior tudo está calmo e em paz, tal como no centro de um furacão.

– REFEIÇÃO CONSCIENTE. Durante uma refeição, permita-se usufruir dessa dádiva e momento sagrado em silêncio. Este exercício torna-se ainda mais desafiante para quem costuma comer em família, pois é costume aproveitarem-se esses momentos para se colocar a conversa em dia após um dia de trabalho e de escola dos filhos. Porém esse momento é mágico para uma comunhão interior profunda. Dialogue com os membros que partilham a mesa antecipadamente, falando deste exercício. Estabeleçam, por exemplo, reservar no final da refeição 5 ou 10 minutos para conversar o que seja necessário ser conversado no âmbito familiar. Irá constatar que este simples facto irá tornar ainda mais produtivo e enriquecedor a comunicação e o diálogo. Na refeição, antes de iniciar, comece por fazer uma respiração profunda e consciente, entrando em contacto com o momento. Durante a refeição, permita-se estar presente em cada garfada que leva à boca. Sinta todos os sabores. Dê-se conta do processo da mastigação a acontecer, do movimento da sua boca. Observe a tendência para a necessidade de ter de falar. Observe as suas emoções. Regresse com a sua atenção as vezes que forem necessárias para o que está a fazer. Mantenha a mente “limpa”, vazia de pensamentos, mantendo o foco no que está a fazer acontecer nesse instante. Estando mais presente, irá também escutar a real necessidade de alimento do seu corpo, e irá saber, sentindo, a quantidade adequada de comida necessária para o seu corpo.

– RELATIVIZE TUDO. Inclusivamente a si mesmo. Permita-se vivenciar todo o tipo de emoções, sem necessidade de as esconder ou recalcar de si mesmo. Mantenha simplesmente a atenção na consciência de si próprio, no observador que observa a emoção, o pensamento, aquilo que a experiência dá a sentir, naquilo que se passa ao redor. Dessa forma irá cultivar uma consciência cada vez maior e mais sustentada de si, sem se identificar com emoções que possam surgir. Vivenciando a vida, porém sem ser “arrastado” por aquilo que dá a sentir.

– QUESTIONE-SE. Pergunte-se a si próprio várias vezes ao dia e em diversos tipos de contextos perguntas como: “Quem sou eu, realmente?”. Observe a possibilidade da mente rotular este tipo de perguntas como “crises existenciais”. Regresse ao propósito de escutar e cultivar o seu centro, e não dar ouvidos à periferia da mente e dos seus hábitos. Na realidade, esta pergunta tem o papel potencial de Shiva, no oriente o poder da desconstrução, abertura e renovação, para que assim haja uma desidentificação da mente, apontando para o centro do seu círculo e consequente expansão cardíaca e integração com a mente.

– ATENÇÃO À ATENÇÃO. Lembre-se que a atenção é uma das mais poderosas ferramentas do ser humano. Seja o que for para o qual direcione a sua atenção, esteja ou não consciente, irá estar a dar força e a alimentar o que sente. Deixe que a vida aconteça por ela própria. Estamos todos aqui apenas de passagem… Aprenda a libertar o passado, a libertar o futuro, a libertar-se da mente. Viva o presente no presente. Apenas cultive a sua atenção desde o seu centro, o seu núcleo, o seu agora. Desde esse ponto, sinta-se profundamente livre para ser aquilo que nunca deixou de ser, apesar do aparente passar do tempo. Ser simples…Mente.

– PERMITA-SE DIZER “NÃO”. À medida que for estando cada vez mais em contacto consigo próprio, é natural que aquilo que antes fazia sentido para si, ao qual atribuía importância e ao mesmo tempo lhe dava poder, agora observa que deixou de ter o mesmo tipo de significado para si. Deixou de se identificar com certo tipo de pensamentos, rotinas, condutas, conversas, ambientes, pessoas… Quando existe coerência entre o centro do seu círculo – o coração inteligente e emocional,  e a extremidade do mesmo círculo – mente/personalidade, dizer “não” equivale a dizer “SIM” à vida e ao alinhamento sagrado em cada um com o fluxo cósmico da Vida. Deixe que a vida leve o que já não fizer sentido no presente para que assim a vida lhe traga o que faça mais sentido para si no presente. Renove-se.

– SEJA JARDINEIRO. Tal como uma engrenagem que está habituada a funcionar apenas num sentido e se deseja que funcione noutro sentido, é muito importante fazer atividades que façam acontecer e embalar esse novo sentido. Imagine um jardim abandonado, no qual cresceram ervas daninhas em total liberdade, sem controlo nem disciplina, sem jardineiro que cuidasse do mesmo. Entretanto as mesmas ervas daninhas encobriram flores multicoloridas, que foram ficando encobertas. Coloque a atenção nas flores. Deixe as outras tal como estão, não as combata, não disperse a sua energia e atenção. Apenas regue as flores. Alimente, cuide e mime o seu centro. Inscreva-se em atividades como Yoga, Tai Chi, meditação, passeie pela natureza, leia livros de desenvolvimento pessoal, pinte, escreva, etc. Tudo isso irá ajudar para que aos poucos as suas flores cresçam. Quando der por si o jardim que ontem estava repleto de ervas daninhas hoje estará cheio de vida, espaço e cor, integrando também as ervas daninhas como um elixir para um jardim com mais vida.

E por último, mas não menos importante…
– PRATIQUE A GRATIDÃO. A cada despertar, a cada experiência, a cada sorriso, a cada lágrima. Reconheça a pérola de sabedoria e aprendizagem de cada morango que a vida lhe traga, seja ele amargo ou doce. Pratique o desapego, material ou emocional, sem colocar de lado a vivência do morango. Tudo se transforma. Diga apenas “Obrigado”. Agradecer à Vida trás mais vida à sua vida.

Namastê
Jorge M. Porfírio

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