A Sociedade e a Mudança

Quando pensamos que o problema são “os outros”, tenhamos em conta que “os outros” pensam o mesmo. Não existem “os outros”. Existe a ideia de “outros” em mim. Enquanto observarmos “os outros” como acreditamos que eles são e não como aquilo que realmente são, todos estamos expostos aos ajustes da natureza essencial da vida para repôr o seu equilíbrio… Tiramos da Terra, temos de devolver à Terra. É a lei do equilíbrio.

Os indivíduos devem mobilizar-se de forma a tomar atitudes apropriadas em prol do colectivo. O território que está ao abandono, é um facto, é o interior do país. Mas isso é consequência de um abandono do interior de cada indivíduo, arrastado há demasiado tempo para fora de si mesmo na sua busca pela conquista e expansão, e que deposita a sua confiança em “outros outros”. Para uma mudança social sustentável, deve haver envolvimento social. Não envolvimento das pessoas, mas um envolvimento desde os valores dos seres humanos que desenham um povo. E esses valores, essas raízes, são comuns a cada um. Não se mobiliza um ser humano com promessas, quando as mesmas promessas são muitas vezes causa dos efeitos que temos vindo a assistir, não olhando a meios para os objectivos.

Devemos tratar de observar os nossos valores, e para isso devemos aprender a tornarmo-nos mais sensíveis à vida, tal como ela é. Não devemos esperar que uma sociedade seja sensível, protetora e devotada para com florestas, vidas humanas, animais, para com a natureza, sem que antes os indivíduos que a constituem não incluam a sua sensibilidade em si mesmos. Sem que antes “caiam” em si, da mente para a sua natureza essencial. Só assim haverá espaço para que a mesma sensibilidade tenha expressão nas suas vidas diárias.

A sociedade não é “eu e os outros”. A sociedade somos nós e sustenta-se do que damos de nós aos outros em nós. Só assim as mentalidades se transformam… não por imposição exterior, mas por reconhecimento directo interior dos alicerces essenciais da vida.

O que podemos fazer?
Da minha perspectiva o primeiro passo passa por olhar, realmente olhar, para nós mesmos. Para esse interior. Investir aí algum tempo e energia. Muitas vezes precipitamo-nos a indicar caminhos, a dar soluções, quando o nosso próprio olhar está corrompido por preconceitos e crenças, e dependente de muita coisa inconsciente. Nos dias de hoje, existem muitas ferramentas e tipos de ajuda externa à disposição… basta querer ver e, à luz do discernimento, como em tudo na vida, escolher.

A mudança primeiro conquista-se no interior. Depois reflecte-se, uns com os outros, no exterior. Nada podemos fazer sozinhos, mas há coisas que apenas cada um pode fazer por si e em si. Como diz Sadhguru “Se tu não fizeres o que tu não podes fazer, está tudo bem. Mas se tu não fizeres o que tu podes fazer, é um desperdício de vida.”. Amor-próprio não é egoísmo, mas um acto de coragem dado pelo que somos, por amor à Nação em nós e por todos desejarmos um amanhã possibilitador e não um beco sem saída ou um ponto de não retorno para nós mesmos e para as futuras gerações. Educar para ter deve caminhar de mãos dadas com Educar para Ser. Não há outro caminho.

Como disse Einstein: “Nenhum problema pode ser resolvido no mesmo grau de consciência que o gerou.”

Haja Consciência, Humildade e Força de vontade para mudar desde o essencial.

Namaskar
M.

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A Saída é para Dentro

Verdadeira felicidade deve ser a bússola de cada individuo na sua vida. Se te revês assim, continua em frente. Mas se, no caminho, tu estás de alguma forma a sentir resistência, sofrimento, estagnação, impotência ou sensação de faltar algo, então há uma chamada interior que te está a ser feita pela vida… e deves atender o quanto antes.

O primeiro passo, passa por reconhecer o espaço entre aquilo que realmente tu és e aquilo que tu não és mas pensas que és.

Olhar para dentro, ou seja, voltar a atenção para dentro de si mesmo, é reconhecer todo um território por explorar. Nesta fase, pode assemelhar-se a “andar” numa divisão no escuro com todas as sensações e emoções associadas. Dependendo da natureza de cada individuo, uns sentirão mais dificuldade em estabilizar o foco da atenção em si mesmos que outros.

Os chamados “buscadores espirituais” genuínos que se tenham entregue a esta viagem e feito a travessia completa, tendo reconhecido a sua natureza essencial, conhecem a dimensão e o “desafio” que representa, e estão disponíveis e ao serviço para dar a mão a quem chegue a eles, de acordo com a ressonância de cada um.

O orientador espiritual, tendo atravessado, incluído e ido além das suas próprias fronteiras enquanto indivíduo, dispõe de uma visão de uma ordem ou dimensão transcendental, vendo-se a si mesmo “no outro”, resultado do seu campo vibracional inclusivo. Dispõe de uma visão que lhe dirá acerca do nível de aceitação e receptividade de quem o procura, chegando a ele informação do seu campo vibracional. O seu espaço de observação inclui a singularidade do caminho de quem a ele chega de forma compassiva. Assim, a experiência do passado dos dois corpos serão diferentes, mas no campo vibracional do orientador, no presente, são transcendidas.

Com a devida orientação e acompanhamento de quem já experienciou o processo, o indivíduo é conduzido a levar o seu próprio olhar a si mesmo de forma segura e amorosa. É nesse espaço que a transformação (Kriya) pode acontecer de acordo com a Natureza Essencial da Vida, ou Graça.

A vida trata da vida. Sempre!
Desafia a gravidade, mas com os pés na terra.
Desconfia das lendas, mas aberto ao que não sabes.
Isso será o suficiente para algo se mover…
Segue isso.

Luz no Caminho
Namaskar
M.

Os 3 Grandes Grupos de Benefícios do Yoga Transpessoal

lotus
– Benefícios Físicos
– dado o fio condutor desta prática ser a atenção plena (mindfulness), durante o intervalo de tempo que dura a sessão a atenção mantém-se direcionada para o interior do corpo (Pratyahara, recolhimento da atenção/sentidos). Aflora assim um “dar-se conta” aprimorado e ampliado que favorece enormemente o relaxamento físico e a abertura e recetividade celular. Desde esse espaço gerado por uma mente treinada e disciplinada, toda a estrutura física do corpo é trabalhada no sentido de ampliar a flexibilidade, tornar claro o processo respiratório, ampliar o bom funcionamento do sistema imunitário, observar e corrigir a postura, maior consciência de hábitos saudáveis. Palavra Chave: Expansão.

– Benefícios Psicoemocionais – do estado de atenção plena, neste campo deriva naturalmente a possibilidade de desbloquear todo o tipo de tensão inconsciente reprimida, tanto mental como emocional, instalada ao longo do corpo energético. Emoções reprimidas, retroalimentadas e mantidas por tendências comportamentais, tendem a bloquear o fluxo da energia (Prana) pelo corpo, o que eventualmente pode somatizar-se no corpo físico dando origem à doença, o efeito da raíz/causa mais subtil. Desde o olhar desafetado, treina-se a equanimidade perante a subtileza e sacralidade de tudo aquilo que aflore à percepção da mente consciente, sem que haja uma identificação da consciência com a emoção. Daí ocorre espaço para a bolsa emocional ser “atravessada”, sendo reconhecida, aceite, respirada e integrada. Palavra Chave: Libertação.

– Benefícios Intelecto – treinar a mente de forma a superar-se a ela própria, colocando-se em causa, transpondo assim zonas de conforto indo em direção ao novo, ao “por conhecer”. Desenvolve-se um intelecto aberto ao sagrado, neutro, ágil, amplo, claro, lúcido, focado e desimpedido de componentes que moldam a personna (crenças, tendências, padrões). O intelecto treinado e disciplinado neste espaço consciente é o ponto chave desde o qual a componente emocional e física se unem, e dançam a dança da vida em conjunto. Palavra chave: União.

Namaskar
Miguel Nunes